Estadão cita Domingos Neto como maior destinador de emendas do “tratoraço”

Deputado Domingos Neto
Deputado Domingos Neto - Foto: Reprodução
O deputado federal Domingos Neto (PSD) é citado pelo jornal O Estado de S. Paulo como um dos parlamentares beneficiados pelo “tratoraço” – um orçamento paralelo de R$ 3 bilhões em emendas articulado pelo presidente Jair Bolsonaro, no final do ano passado, a fim de aumentar sua base de apoio no Congresso.

A maior parte das emendas, conforme apuração do jornal, foi destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas por preços até 259% acima dos valores de referência fixados pelo Governo. A estratégia do Governo era permutar recursos federais por votos nas eleições do Congresso Nacional. Bolsonaro foi o fiador das candidaturas vitoriosas de Arthur Lira (Câmara) e Rodrigo Pacheco (Senado).

Relator-geral do orçamento, Domingos Neto abocanhou a segunda maior fatia da verba “extra” do Planalto, com R$ 170,9 milhões para destinar às suas bases eleitorais, conforme planilha revelada pelo mesmo jornal, em 29 de janeiro.

Em dezembro, logo após a sua mãe, Patrícia Aguiar (PSD), ser eleita prefeita de Tauá, o deputado cearense destinou R$ 110,3 milhões ao município da Região dos Inhamuns. O recurso colocou a cidade de 57 mil habitantes no topo das maiores beneficiadas do Brasil por repasses da pasta do Desenvolvimento Regional em 2020.

Nas redes sociais, Domingos Neto anunciou que as máquinas pesadas chegariam a “30 municípios comtemplados”. “As máquinas pesadas estão chegando, meu povo! São retroescavadeiras, motoniveladoras, escavadeiras hidráulicas e pás carregadeiras. As emendas foram destinadas por mim para a Codevasf”, anunciou o deputado.

CPI do Tratoraço

Na Câmara, parlamentares de oposição iniciaram a coleta de assinaturas para pedir ao presidente da Casa, deputado Arthur Lira (Progressistas), a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para investigar o direcionamento de R$ 3 bilhões do orçamento pelo Ministério do Desenvolvimento Regional.

“A criação de orçamento paralelo com execução condicionada à indicação de parlamentares que votam com o governo configura verdadeira compra de votos e fere gravemente a autonomia do Poder Legislativo e a separação de poderes assegurada na Constituição”, disse o deputado Ivan Valente (PSOL) em requerimento de abertura de CPI.


Postar um comentário

0 Comentários