A gestão Glêdson Bezerra completa um mês neste domingo (31.jan.2021). Ao pôr os pés no Palácio José Geraldo da Cruz, o novo gestor se deparou com uma avalanche de problemas a serem solucionados: salários atrasados, ameaças de greve, pressões para convocar concursados, lixo nas ruas, e o desafio de equilibrar as contas públicas afetadas por um rombo de R$ 70 milhões. Mais a frente, teve de lidar com pedidos de afastamento de nomes do seu primeiro escalão.

Com o caixa no vermelho, Glêdson sentiu a necessidade de expor os débitos herdados da gestão passada. "Juazeiro vive um caos financeiro", disse após apresentar as dívidas com servidores e fornecedores que, à época, totalizavam déficit de aproximadamente R$ 70 milhões. A primeira meta: enxugar a folha salarial e quitar débitos mais urgentes.

Para ganhar tempo, Glêdson apostou no diálogo. Negociou com líderes sindicais novos prazos visando conter uma iminente greve. Procurou o Ministério Público para intermediar uma prorrogação do contrato do lixo e os trâmites para uma nova licitação. Foi a Brasília em busca de recursos junto a aliados. E, aos poucos, tem cumprido um cronograma de convocações dos concursados.

Apesar do esforço, Glêdson não conseguiu remover três pedras cravadas em seu sapato que ainda causam incômodos e constrangimentos à sua gestão. A primeira e menor trata-se dos salários atrasados do mês de dezembro devido à servidores contratados. Embora alegue que o 'calote' é da gestão anterior, Glêdson prometeu quitar todos os débitos com o funcionalismo.

O segundo calo é causado pelo tímido relacionamento com a Câmara de Vereadores. Glêdson sequer anunciou quem será o líder do Governo na Casa. O afastamento entre os dois poderes tem resultado em ofensivas do legislativo. Esta semana, o vice-presidente da Casa, vereador Capitão Vieira Neto, avaliou o início da gestão como “desastrosa”. Vieira denunciou casos de nepotismo e disse ainda que Glêdson vai na contramão de tudo que pregava quando vereador.

Por fim, as controvérsias envolvendo três de seus 16 secretários municipais. Glêdson tem usado uma arma para blindar seu primeiro escalão: o silêncio. Ele ainda não respondeu aos 15 vereadores que assinaram um pedido de afastamento dos secretários Diogo Machado (Meio Ambiente) e Francimones Rolim (Saúde). Tampouco demitiu o titular das Finanças, Paulo André de Lima, que assumiu ter recebido parcelas do auxílio emergencial.